sexta-feira, 30 de abril de 2010

Possibilidades de Italia e Alemanha.

É impossível dizer que Itália e Alemanha não tem chances de levar a Copa. Assim como o Brasil, a camisa pesa e intimida os adversários, contudo, acredito que nesta edição as sempre favoritas Alemanha e Itália terão menores chances.
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A Itália sempre se consagrou por ter uma excelente defesa e um jogo de contra-ataques. Porém, apesar de optar por jogar na retranca, a Azzurra sempre contou com ótimos jogadores no ataque. Na passada, contava com um dos melhores atacantes do mundo, Francesco Totti e o grandalhão, mas eficiente, Luca Toni. No meio de campo estava um dos melhores volantes da Copa, o elegante Pirlo. E isto já era o suficiente para credenciá-la. Ocorre que nesta copa, a Itália não contará com nenhum grande atacante, como foram Totti ou Baggio. Pirlo, que continua bem, vem de uma temporada mediana, com muitas lesões. E atrás, Canavaro e Bufon tiveram alguns problemas e estão ligeiramente envelhecidos. A idade, para mim, nunca foi um problema, ainda mais em um torneio tão curto quanto um mundial. O pior é mesmo a ausência de um fora de série no ataque. Por outro lado, a Itália deverá fazer algo quase inacreditável para uma seleção italiana; jogar sem um cabeça de área exclusivamente defensivo. Por contar com muitos e bons volantes, como De Rossi, Marchisio, Aquilani, Perrota e Pirlo, e por não contar com Gatuso em boa fase, a Itália pode ter um meio de campo sem brilho, mas equilibrado, onde todos podem surpreender. Falta o craque, é verdade, e isso faz com que a Itália não figure em minha lista de seis favoritas, porém a Itália pode montar um time que dificilmente levará gols, como de costume, e que toque bem a bola no meio de campo, o que é novidade. Sem Totti, a Itália precisa contar com uma repentina inspiração de Gilardino e da mobilidade do jovem Rossi. Já veremos o que vem por aí.
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Quanto a Alemanha, a perspectiva é menos otimista. Estamos acostumados a ver na Alemanha grandes jogadores. Raramente aparece um meia habilidoso, mas futebol não se resume a habilidade, é um esporte muito mais complexo. Porém esta Alemanha está carente de jogadores talentosos no gol, na defesa, no meio e no ataque. Ballack é, para mim, o melhor volante da atualidade. Marca bem, tem um bom passe, arremata de longa distância e costuma deixar o sangue em campo, mas é, talvez, o único bom jogador da Alemanha. Desde a aposentadoria de Kahn, não apareceu nenhum bom goleiro. Tampouco contará com um excelente zagueiro. Lahn é um lateral razoável, que tem velocidade e pode surpreender em determinadas jogadas, e no ataque a Alemanha não contará com um jogador em grande forma. Klose, que sempre foi mais aplicado do que talentoso, vive a pior fase da carreira, amargando a reserva no Bayern e brigado com o gol (apenas 3 em toda temporada). Podolski não passou de promessa e o mais provável é que a Alemanha conte com os serviços do brasileiro Cacau. Mas se a Alemanha é tão ruim assim, o que faz com que tenha alguma chance de vencer... Além do peso da camisa, a inusitada vocação atacante do seu meio de campo. Assim como o Bayern, a Alemanha jogará com três volantes de talha ofensiva; Ballack, Schweinsteiger e a jovem promessa Mesut Ozil, e três atacantes, possivelmente Mário Gomez, Podolski e Cacau. Veremos se a idéia pega e Dunga decide sentar Gilberto Silva, excelente 'zagueiro', no banco.
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Itália e Alemanha, tradicionais seleções, entram descacreditadas nesse mundial, mas quem sabe o bom toque de bola no meio de campo não trás a tona o melhor dos medianos atacantes europeus.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pequeno balanço do mês de abril.

O Barcelona está fora da Liga dos Campeões. Dizem por aí que foi uma injustiça, que o Barça era muito superior a Inter. Discordo. E discordo mais ainda quando vejo o Barcelona jogar com Busquets e Keita como volantes. Se o Barça é o time mais ofensivo do mundo, o que falar do Bayern, que joga com Van Bommel e Schweinsteiger como volantes... Cabe imaginar, ainda, que o Barcelona pode deixar escapar o campeonato espanhol. Coisa não muito difícil de ocorrer. E isso acontencendo, cabe imaginar que a imprensa entrará de sola em Messi. De mágico a falsário em um piscar de olhos.
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Ronaldo está gordo. Agora é verdade. Antes ele estava apenas um pouco fora de forma, mas agora o problema é mais pesado. Adriano está levemente fora de forma, não gordo. Mas o Flamengo, sem um bom meia, joga como time pequeno, o que dificultará a ida de Adriano para a África do Sul. A mídia aponta para Neymar, o que tira o foco de Ronaldinho Gaúcho e alivia a vida de Dunga. Ninguém mais discute se Ronaldinho deveria ir para o mundial. A dúvida agora é a de se Dunga deve dar uma chance ao garoto. Azar do Gaúcho. Kléberson não vai para a Copa e assim sobra uma vaga no meio. Michel Bastos joga de ponta direita, o que pesa contra ele na cabeça de Dunga. Sobram vagas de lateral esquerdo. O reserva de Kaká será Robinho, então Dunga pode deixar de chamar Júlio Baptista. Júlio César, Maicon e Lúcio confirmam posição de melhores do mundo. Ninguém se lembra de Alex. Já me disseram que Dunga deveria levar Roberto Carlos, pois não existe um batedor de faltas na seleção. Sendo assim, melhor levar Juninho Pernambucano, ou desenterrar o Marcelinho. Ninguém se lembra que Thiago Motta é brasileiro. O Brasil é favorito, mas já começou o pessimismo natural do Brasileiro. Luis Fabiano joga bem, mas não chega aos pés de Ronaldo, Romário ou Careca. Robinho e Nilmar jogam bem, mas não chegam nem aos pés de Rivaldo ou Bebeto. Resumindo, o ataque brasileiro é o pior das últimas copas. Dunga foi considerado um brucutu quando jogava, mais era mais técnico e melhor passador do que Felipe Melo. Temos o meio de campo tão pouco criativo quanto o de 90, quando jogavam Alemão, Dunga e Valdo. A defesa vai bem, mas há de se convir que é pouco. Somos favoritos, mas seremos mais retranqueiros do que a Itália e a Alemenha.
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O Cruzeiro joga bem. O Santos joga bem. O Grêmio joga bem. O São Paulo é, pelos jogadores, organização e dinheiro que possui, uma merda. Não sei o que acontece com o São Paulo, mas por lá se cultiva o ódio ao meia habilidoso. Não me lembro do último, mas é bem capaz de ter sido o Raí, que nem tão habilidoso era. Kaká saiu menino, foi revelado lá e o São Paulo não dava muita bola para ele. O Internacional tem bom time, mas está jogando mal. O Flamengo é o Flamengo, uma verdadeira bagunça. Mas carioca é assim mesmo, leva tudo na sacanagem. As vezes vai, as vezes não, entendeu parceiro...
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O Vitória vai ganhar a Copa do Brasil. Dessa vez não tem bozó que faça dar pra trás. O time não é bom, mas no ataque joga o Diabo Loiro e diabo que se preze adora estragar festa de Santista.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Copa dos Campeões

Daqui a pouco jogarão o Barcelona e a Internazionale. Ontem o Bayern ganhou fácil do Lyon. Um jogo sem graça, mas ganhou o mais ofensivo. O Bayern é, atualmente, um dos times mais ofensivos do mundo. Contudo, não é um time espetacular. É apenas bom. Joga com laterais ofensivos, como Lahn, um zagueiro (Demichelis) que em outros clubes jogaria como volante, e nenhum volante exclusivamente defensivo. Van Bommel, no Barça, jogava no lugar de Xavi, e Schweinsteiger iniciou a carreira como atacante. Ribéry tem o estilo de Kaká e Roben se parece a Robinho. São os dois meias do Bayern. Na frente, mais dois atacantes. Adoro ver que jogando assim se pode fazer uma final de Liga dos Campeões, mas adoraria ver o Bayern contar com jogares melhores em cada posição, como Lúcio no lugar do Belga Van Buyten, Ballack no de Schweinsteiger, além de dois bons atacantes.
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Quanto ao Barça, não contará com Iniesta mais uma vez. E tudo indica que Guardiola repetirá o esquema. Se assim for, hoje veremos o fim do "melhor Barça de todos os tempos".

Os melhores times da história.

Daqui de onde miro, duma quina recente da história e geografia do mundo, irei elencar aqueles que foram, para mim, os melhores times de todos os tempos. É claro que esquecerei grandes times, ora por desconhecimento ora por esquecimento, mas aqui estarão lembrados muitos dos times que entraram para a história. Desde logo aviso aos mais afoitos que não entrará nem o Barça, nem o Santos atuais, mas outros Barças e outros Santos sim. Impossível será dizer qual dos times abaixo foi o melhor, daí elencar as equipes por data. A maioria não acompanhei, apenas vi imagens, mas acompanharei algumas opiniões e estudos feitos por outros. Daí, além de subjetiva, a lista certamente será falha. Estará ao lado do clube o ano mais marcante. Isto não significa que em anos anteriores e posteriores o time não era tão bom. Não entram aqui as seleções. Assim, ficam de fora as seleções Brasileiras de 58, 70 e 82, a Húngria de 54, a Holanda de 74, dentre outras. Também estão fora times anteriores ao ano de 1958.
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1.Real Madrid (1960): Domínguez; Pachín, Marquitos, Santamaría e Zárraga; Vidal, Didi, Canario e Di Stéfano; Puskas e Gento.
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2. Botafogo (1962): Manga; Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Ayrton e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.
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3. Santos (1963): Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Mengalvio e Zito; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.
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4. Ajax (1973): Stuye; Suurbier, Blankenburg, Hulshoff e Krol; Neeskens, Arie Haan, Muhren e Johnny Rep; Cruyff e Keizer.
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5. Bayern (76): Sepp Maier; Beckenbauer, Schwarzenbeck, Hansen e Horsmann; Durnberger, Roth e Kapellmann; Rummenigge, Muller e Uli HoeneB.
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6. Flamengo (1981): Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.
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7. Milan (1989): Galli; Tassoti, Costacurta, Baresi e Maldini; Colombo, Riijkaard, Ancelotti e Donadoni; Gullit e Van Basten.
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8. Palmeiras (1994): Veloso; Cláudio, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho, Zinho e Rivaldo; Edmundo e Evair.
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9. Barcelona (1994): Zubizarreta; Ferrer, Nadal, Koeman e Sergi; Guardiola, Bakero, Amor e Laudrup; Stoichkov e Romário.
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10. Vasco (1997): Carlos Germano; Válber, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Nasa, Juninho, Pedrinho e Ramón; Edmundo e Evair.
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11. Corinthians (2000): Dida; Índio, Adilson, Fábio Luciano e Kléber; Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho; Edilson e Luizão.
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12. Real Madrid (2002): Casillas; Salgado, Helguera, Hierro, Roberto Carlos; Makelele, Cambiasso, Zidane e Figo; Raúl e Ronaldo.
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13. Barcelona (2005): Valdés; Beletti, Puyol, Márquez e Sylvinho; Edmilson, Xavi e Deco; Ronaldinho, Messi e Etoo.
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Recordo que esta lista é bastante falha. Outros times foram tão bons e poderiam estar entre estes. Alguns destes times conseguiu juntar, em uma única equipe, a mais de um craque. Outros, formaram boas equipes em torno de um ou dois jogadores. O Madrid, por exemplo, tem uma péssima defesa. O Barça, de 94, assim como o Madrid de 2002, conseguiu juntar três grandes em uma única equipe; Laudrup, Stoichkov e Romário. O Vasco e o Corinthians foram tão bons quanto os melhores. Poucos podem contar com Juninho, Pedrinho e Ramón no meio de campo, ou Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho. O Palmeiras era uma verdeira seleção. Sem falar no Milan, de Ruud Gullit e Van Basten. Os times anteriores a 89 devem mais à uma pesquisa do que a uma análise pessoal apropriada.
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Atualmente se tem falado muito do Barcelona e do Santos, mas depois desta lista aí acima, acho que não faz muito sentido enquadrá-los entre os melhores da história.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fique de olho: duplas atacantes.

O Chile encantou em 98 com a boa dupla atacante formada por Iván Zamorano e Marcelo Salas. Nesta copa, outras duplas podem ficar tão famosas quanto aquela. No Chile a reedição do feito cabe ao centroavante Humberto Suazo e o meia-atacante Matías Fernández. Suazo foi o artilheiro das eliminatórias e tem uma impressionante média de gols, das maiores entre jogadores chilenos. Matías Fernández foi considerado o melhor jogador jovem da América do Sul, mas, ainda, não conseguiu atingir o nível a que está destinado. É um projeto de craque e todos esperam sua ascenção.
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Pelo Paraguay veremos uma dupla formada pelo rodado, mas jovem, Roque Santa Cruz, que joga pelo Manchester City e pelo ainda desconhecido, mas artilheiro indiscutível, Óscar Cardozo, do Benfica. Cardozo é um centroavante com o mesmo estilo de Santa Cruz. Nas últimas temporadas, vem mostrando que raramente passa um jogo sem marcar. Tem ainda 23 anos e essa Copa pode ser a melhor vitrine para o seu futebol. Em teoria só um dos dois jogariam como titular, pois a segunda vaga era do Salvador Cabañas, que possivelmente não se recuperará a tempo para o mundial.
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Mas de todas, a melhor dupla sulamericana (tão boa quanto a do Brasil ou Argentina) é a formada pelos atacantes Diego Forlán e Luis Suárez. É o casamento perfeito, o experiente Forlán, de 30 anos e muitas artilharias no curriculum, e o jovem artilheiro do Eredivisie, de 23 anos e que este ano vem mostrando o melhor futebol de sua carreira, inclusive podendo bater o record de maior marcador dos últimos 25 anos do campeonato. Atualmente, conta com 33 gols em 28 partidas (Kezman marcou 35 em 2003). É quase certo que depois desta copa o Ajax terá que deixá-lo sair para um clube maior. As semelhanças com Zamorano e Salas aumentam quando recordamos as idades dos dois chilenos no mundial de 98 e a dos uruguaios nesta copa. Naquela ocasião, Zamorano era um centroavante experiente, com passagens pelo Sevilla e Madrid, e militava pela Internazionale. Salas acabava de desembarcar na Europa, específicamente na Lázio, onde suas atuações lhe rederam o título de melhor atacante chileno da história.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Santos sempre Santos.

Ontem, muitos jornalistas já começaram a escrever a resenha de hoje com as frases: "Neymar é pipoqueiro" e "Santos só goleia time de várzea", mas salvos pelo cansaço do Santo André, e uma boa segunda parte do Santos, puderam continuar o coro de "melhor time brasileiro desde o Santos de Pelé". Assim funciona a imprensa esportiva brasileira, sempre saindo do minus ao maximus em fração de segundos, ou melhor, de resultados. Hoje Neymar é um craque, amanhã, se por ventura o Santos perde para o Santo André e para o Atlético Mineiro, Neymar é um "cai cai". O resultado faz o comentário. E dessa forma, nunca se erra. Talvez seja um signo da nossa sociedade do "aqui agora", ou do prazer imediato.
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O Santos joga bem, principalmente pela atitude em campo. Outras equipes foram melhores do que o Santos atual, como o Palmeiras de 93 a 97, o Vasco de Juninho, Pedrinho, Ramón, Edmundo e Evair, ou o Cruzeiro de Alex. Contudo, o que diferencia este Santos é a ousadia do treinador, possivelmente direcionada pelo presidente do Santos. Ontem pudemos notar como o Santos busca sempre fazer gols, não simplesmente o resultado. Vencendo por 3x1 e com um homem mais em campo, seu treinador tira o Pará, um lateral, para a entrada de Madson, um atacante. Não funcionou, pois o Santos tomou um gol, mas foi extremamente elogiável esta escolha. O Santos queria a goleada. É certo que se o Santo André empata a partida, hoje veríamos enxurradas de críticas ao treinador do Santos, pois, como disse acima, os comentários de nossa imprensa são sempre pós-resultado.
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Espero que o presidente do Santos tenha entendido que ganhar jogando bonito é mais lucrativo financeiramente, tanto porque a marca é mais vista, quanto porque seus jogadores são vendidos pelo triplo do preço. Apenas o Real Madrid, e ultimamente o Barcelona, não se contentam com uma vitória simples. O Madrid quer ser galático, quer encantar. Assim, Capelo foi demitido, mesmo sendo campeão, pois não encarnava a "filosofia" do clube. O Madrid quer ser visto e admirado. E assim se fez rico, pela beleza e genialidade de suas equipes e jogadores. Aqui no Brasil, o Santos tem tudo para imitar o Madrid, já tem história de galático, jovens promessas e, inclusive, veste branco como o time espanhol. Para isso, necessita seguir buscando golear, mesmo que perca alguns jogos, como para o Atlético Mineiro. Deve buscar parcerias para não só manter o Neymar e o Ganso, como contratar outros bons jogadores. Quem sabe o Santos não convence os zagueiros Lúcio e Juan a voltarem para o Brasil depois da copa, não mantêm o Robinho por mais 8 anos e repatria o Dudu Cearense e o Diogo, que estão no Olympiacos, do 'invisível' campeonato grego. De quebra trás de volta o goleiro Renan ou o Diego Alves.
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Infelizmente, em nossa sociedade atual, onde vale tudo pelo resultado, somos obrigados a mostrar aos donos das televisões e times que, financeiramente, é infinitamente mais lucrativo jogar bonito. Seria uma confrontação entre dois pilares da sociedade de massas, e nessa balança, o lucro está diretamente relacionado à quantidade de beleza que uma equipe pode ofertar. Então, se não somos capazes de convencer sobre a necessidade do retorno ao futebol ofensivo, via argumentos puramente estéticos, cabe apelar ao sentido financeiro da necessidade.

domingo, 25 de abril de 2010

O time ideal.

Muitos tem a seleção de 70 como o time ideal. Mas olhando de perto, não era ainda o ideal. Tínhamos um goleiro firulento, uma dupla de zaga "assim assim" e um lateral esquerdo sem pedigree. Mas o que é o ideal em uma equipe de futebol é algo difícil de dizer.
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Do goleiro ideal, esperamos que pare tudo, ou quase tudo, ou quando pouco, que nunca tome um frango. E deve saber iniciar um contra-ataque, e não se atrapalhar com uma recuada arriscada. Predomi, escrito assim mesmo, é o melhor goleiro do baba de domingo. Faz um tanto assim de defesas difíceis. Eu, pra mim, acho que ele complica de propósito. Espera a bola chegar pertinho para se deslocar. Aí, se entra, ele diz que era indefensável. Mas quando faz uma parada, é coisa de cinema. Só faz ponte de mão trocada. O engraçado é que quase sempre seu time perde. Ele diz que é por culpa dos zagueiros, que deixam chutar. Sempre que vejo Predomi, lembro de Jean, famoso goleiro do Bahia, e de Casillas, do Real Madrid. Inevitavelmente, o goleiro ideal deve ser grande. E deve estar bem posicionado. Hoje, tenho por goleiros quase ideais, a Júlio César e Bufon.
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O zagueiro ideal nunca toma um drible. Se alguém quiser passar por ele, só de muito longe. Pelo menos uns 15 metros de distância. Mas não só isso. Gaúcho, do baba de quinta, também impõe respeito. Ninguém passa por ele. Ainda tenho sua marca da chuteira em minha coxa quando tentei, inadvertidamente, passar por ele. O problema de Gaúcho é que nunca joga mais de 15 minutos, pois Keka, o juizão, é seu inimigo. Para não ocorrer o mesmo, nosso zagueiro ideal deve ser técnico, ter antecipação, pocicionamento, bom cabeceio, força física, correr mais que o atacante e, de preferência, ter o passe do Beckenbauer. Como isso é dificílimo de ocorrer em uma única pessoa, o bom time tem que contar com uma dupla de zaga que se complemente. O zagueiro de força e o de técnica. Hoje, Lúcio e Juan se complementam. Dos zagueiros que vi jogando, Baresi e Aldair seriam a melhor dupla.
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O lateral ideal deve, antes de mais, saber defender. Como sua posição não deve se limitar a defender, está obrigado a iniciar bem as jogadas. Nesta posição, mais que qualquer outra, a velocidade é uma característica utilíssima. Já o drible é atributo secundário. Marcar, subir e descer o tempo todo, cruzar com perfeição e, de quando em quando, chutar para o gol. O melhor lateral que acompanhei foi o Zanetti, hoje na Internazionale. Jorginho foi, talvez, tão bom como ele. Carlos Alberto, pelo que vi de imagens, lembra muito o melhor lateral da atualidade, nosso Maicon.
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O volante ideal é um jogador elegante. Tem que fazer tudo bem. É o jogador que poderia jogar em qualquer lugar do campo. Não necessariamente o melhor em cada lugar, mas quebraria o galho em qualquer parte. Esse é, para mim, o jogador mais difícil de aparecer no futebol. E assim como o zagueiro, o melhor que o treinador tem a fazer é arrumar uma dupla de volantes que se complemente. O melhor neste posto, hoje, é o Balack. No Brasil, não temos ninguém que se assemelhe. O último grande volante brasileiro foi Falcão. Outros grandes jogadores na posição foram Redondo, Mathaus e Gullit. Hoje, no Brasil, o melhor é o Thiago Motta. Nós nos acostumamos, nos últimos anos, a colocar um zagueiro na posição de primeiro volante e um lateral na de segundo. Nesta copa, pelo visto, veremos algo parecido. Gilberto Silva é zagueiro.
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O meia ideal deve saber driblar, correr com a bola nos pés, dar passes precisos entre os zagueiros e, também, fazer muitos gols. Zico era o protótipo do meia ideal. Como só encontramos Zicos de tempos em tempos, o treinador ideal deve formar uma dupla de meias que se complementem. Zidane e Figo formaram uma boa dupla. Hoje, no Brasil, Alex e Kaká formariam outra.
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O atacante ideal deve ter quase as mesmas características do meia ideal, porém não será tão necessário saber dar lançamentos. Por outro lado deve saber se desmarcar, chutar com as duas pernas e ter um bom cabeceio. Ronaldo era o atacante quase ideal, faltava saber cabecear. Como encontrar um Ronaldo é tarefa quase impossível, um Ronaldo cabeceador é coisa para cientistas. Por falar em cientistas, lembro-me do dia em que apresentei o Dr. Felisteu Abade, diretor do laboratório de fusões humanas de Arapiraca, ao nosso presidente Ricardo Teixeira. O Dr. Felisteu ofereceu-se para fundir Ronaldinho Gaúcho e Robinho em um jogador, no atacante ideal. Teríamos a técnica de Ronaldinho, somada a movimentação de Robinho. Teixeira gostou da idéia, mas não concordou em pagar sequer os custos da dificílima fusão. Também, Robinho, em conversa privada comigo, garantiu que não aceitaria. Se ainda fosse com o Kaká, que é bonitinho... confidenciou-me o vaidoso atacante santista.