domingo, 21 de agosto de 2011

Equilíbrio

Equilíbrio.

Esta é a palavra que marcará este Brasileirão. Temos, pelo menos, oito equipes com a mesma qualidade técnica em seu onze inicial. O Santos tem o melhor onze e, talvez, o melhor elenco. Mas como o Santos parece estar só de passeio neste torneio, podemos afirmar que não está entre os favoritos ao título. O campeão será decidido nos detalhes. As lesões, a sorte ou o bom ambiente farão com que uma destas equipes seja a campeã de 2011.
Muito se falou de Tévez e Seedorf no Corinthians, de Kléber eVágner Love no Flamengo, dos retornos de Robinho, Diego e Kaká, mas tudo ficou na especulação. Nenhuma equipe fez um super time.
Dos times que estão nas primeiras posições, Palmeiras e Vasco devem cair. Das equipes que estão no meio da tabela, Fluminense e Cruzeiro devem subir. Mas, diferente de outros anos, não podemos apontar apenas quatro favoritos.

Ronaldinho.
Ronaldinho é um craque? Não, não é. Ronaldinho merece ser convocado para a Seleção? Sim, merece. Mesmo sem o considerar um craque e mesmo que ele não tenha a arrancada dos tempos do Barcelona, Ronaldinho ainda é um dos melhores jogadores do mundo. Não podemos o comparar com Messi, mas não seria absurdo o comparar com Iniesta, Ozil ou Sneijder. E é difícil imaginar que Ronaldinho não fosse titular da França, Inglaterra ou Itália. Ronaldinho continua sendo um bom jogador, não devemos esquecer isso.

Dagoberto.
Dagoberto não é craque e nunca será, mas tem sim chances de ir para uma Copa do Mundo. Como ele temos 100. Só de passagem podemos falar em Vágner Love, Kléber, Pato e Nilmar. E nenhum deles é pior do que foi Muller. O fato de continuar jogando no São Paulo poderá jogar a seu favor. É isso que muitos jogadores não entendem. Ficar no Brasil em um grande time é mais vantajoso do que se mandar para a Europa para uma equipe de segundo nível. Vágner Love e Nilmar estão cada vez mais distantes da Seleção. Todos são bons atacantes e a visibilidade é o que fará um destes 100 ser o escolhido.

Oscar.
Outra coisa que uma jovem promessa precisa saber é que raramente é vantajoso sair muito novo do Brasil. Um jovem só evolui jogando em uma liga competitiva. Se mandar para ser reserva em um grande time Europeu, como fez Philippe Coutinho, ou jogar em uma liga muito fraca, como fez Giuliano são as piores escolhas para um jovem jogador. Repito, ninguém aprende a jogar olhando. E neste sub20 ficou claro que Coutinho não progrediu, ao contrário de Oscar. E quantas jovens promessas não vingaram por abandonar seu clube prematuramente? Que digam Douglas Costa, Jô ou Carlos Eduardo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Curtas

Seleção Ssub-20

Dois jogadores merecem destaque nesta seleção; Oscar e Casemiro. Oscar é um garoto diferenciado, veloz e com visão de jogo. Tem tudo para ser um jogador decisivo no Internacional. E Casemiro teria tudo para ser um grande frente de zaga. O problema é que, por ter algo de habilidade, vai acabar jogando como segundo volante ou terceiro. Isto fará dele mais um jogador no meio de tantos.

Seleção Principal

Sai a lista de convocados e, como se esperava, Mano volta a chamar Ronaldinho. É provável que chamar Ronaldinho partiu mais da pressão que vem sofrendo do que de sua vontade. Em todo caso, dependendo da sorte, Ronaldinho poderá continuar sendo chamado. E todos dirão que ele é um craque.

Outra mudança significativa foi a ausência de Ramires. Como venho dizendo, esse menino não tem futebol para ser titular da seleção. Caso o Brasil consiga vencer bem os próximos amistosos, Ramires pode dar adeus ao sonho de disputar a próxima Copa.

Por fim Marcelo terá outra chance. Todo mundo sabe que André Santos é limitado, mas ninguém aponta um jogador melhor. Só Marcelo tem certa unanimidade.

E todo mundo sabe que no Brasil, desde Ronaldo, não surgiu um grande atacante. Adriano, por sua força física, bom cabeceio e potência na perna esquerda sempre foi o quase-craque que supriu satisfatoriamente a ausência do fenômeno. Seu problema é o vício. Então fica o vazio, pois Pato nem de longe agrada, é um jogador para o futuro. O problema é que o futuro é incerto. Este é, indubitavelmente, o maior problema de Mano. Bem, não dá para contar com Adriano, pelo menos neste momento.

E olhando bem, poucas são as opções do nosso cauteloso treinador. Meu nome preferido é Leandro Damião. Ele pode ser o quase-craque referência para o ataque brasileiro. E uma coisa é certa, hoje ele joga muito mais bola do que Pato.

Campeonato Brasileiro

O Santos com seu grande elenco está na zona de rabaixamento. Já vi muito treinador ser demitido e chamado de burro pela imprensa por muito menos do que isso. Mas o retranqueiro Muricy está com crédito. Em todo caso, todo mundo sabe que a dupla de zaga santista é limitada. E, por incrível que pareça, o Santos sente a ausência de Zé Eduardo. Isso mesmo, falta um jogador "arisco" para levar a bola em velocidade. Ao invés de o Santos ter contratado tandos bons volantes seria melhor o Santos ter trazido um meia-atacante.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Basta já

Basta já. Me pergunto até quando vão deixar que o futebol se transforme em um esporte sem graça. De dez jogos que vejo apenas um agrada. E não me venham dizer que o futebol está assim por falta de talentos, pois esta é uma inverdade que mascara a verdadeira culpa da semgraçensa que hoje leva o nome de futebol.

Bons jogadores continuam existindo, mas não conseguem a afirmação que outrora (até a fatídica derrota de 82) conseguim. Seria praticamente impossível vermos Sócrates em um time de ponta hoje. E isso não significa que Sócrates tenha sido uma farsa, nada disso. Significa apenas que a mentalidade dominante valoriza, primordialmente, o vigor físico e a velocidade. Velocidade aqui entendida como capacidade de correr como um velocista. E, acima de tudo, que não se joga, como outrora, para vencer. O objetivo visível de uma equipe atual é não levar gols.

Então isso leva a que vejamos desfilar pela canarinha inúmeros Ramires, quantos mais em campo mais contente estará o treinador. Dois Ramires nas laterais, mais dois cobrindo as laterais e defendendo o meio de campo e mais um ajudando o meio de campo e puxando o contra-ataque. Essa é a suma felicidade de um treinador atual. Ter cinco Ramires em campo e jogar no contra-ataque.

Pois bem, é assim que joga o Brasil de Mano e nem um placar adverso fará com que ele mude o esquema. É como uma doença degenerativa. Não há cura. Não adianta sonhar.

Ontem Mano optou por Fernandinho no lugar de Ganso e fez com que o veloz jogador atuasse como Ramirez, só que do lado oposto. E o aplicado Fernandinho fez tudo que o treinador pediu.

Como eu queria ver a desordem e mal criação que existia em tempos de Sócrates. Imaginem os jogadores se reunindo e dizendo que o treinador é um cagão e que o certo é o contrário. Manda o cagão pastar. Imagino que Romário faria isso. E eu que detestava a marra e indisciplina do baixinho...

Então podemos esquecer, saindo Mano entrará Muricy e nada mudará. O Brasil continuará cauteloso até contra Honduras ou Afeganistão. Melhor mesmo é aproveitar o tempo que o futebol deixará vago para uma boa leitura ou para a prática do futebol. Pois certamente, daqui a alguns poucos anos, poucos serão os que deixarão de ir ao cinema para ir a uma partida de futebol. O futebol será como a natação, um esporte que só é visto quando vale medalha olímpica.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Vai começar o Brasileirão

Não publiquei nenhum post sobre o campeonato brasileiro até agora. E o motivo é que, para mim, o campeonato ainda não começou.


Infelizmente os dirigentes e o calendário brasileiro faz com que a maior parte das equipes iniciem o torneio com um time e finalize com outro, muitas vezes, completamente distinto. Algumas equipes perdem seus grandes jogadores, outras fazem contratações importantes e algumas poucas conseguem manter o elenco. Daí não ser possível fazer futurição sobre o campeonato.


Algumas coisas já podem ser ditas:


1. O Flamengo dificilmente será campeão. O bom início no campeonato foi, por um lado, prejudicial para o Flamengo. Por estar no topo da tabela, a direção não foi pressionada para contratar o grande atacante que falta e algo mais. Se o Flamengo estivesse na metade da tabela, possivelmente Kléber e Íbson estariam contratados e, aí sim, o Flamengo teria um time para brigar.


2. O Atlético/PR não deve cair. O time paranaense não é tão ruim para permanecer nas últimas posições do campeonato.


3. O Santos tem o melhor elenco, com folga. Infelizmente os times brasileiros estão dando preferência a um torneio de verão (Mundial de Clubes) a um campeonato longo e difícil como o Brasileirão.


4. Times como Fluminense, Cruzeiro, São Paulo e Internacional vão mostrar a verdadeira cara agora.


5. Palmeiras e Vasco não devem terminar entre os 4 primeiros. Ambos tem times limitados.


Vejamos o que sai de certo dessas previsões.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Apenas um exemplo

Estava na boca de todos nos anos 80: "a melhor defesa é o ataque". Quase todas as pessoas ligadas ao futebol acreditavam nisso. Hoje vemos uma reviravolta neste pensamento. A maioria defende justo o contrário: o melhor ataque é a defesa. Atualmente 99% dos treinadores jogam para não perder.

No jogo de ontem podemos dar uma prova disso.

Imaginem que naquele jogo o Brasil tivesse sofrido um gol no final do primeiro tempo, retornando para o segundo com o placar em 0x1. Bem, imaginem que a segunda parte fosse exatamente igual, o Brasil apertando mas sem conseguir marcar. Imaginem isso. Agora imaginem se Mano Menezes faria as alterações que fez. Imaginem se ele tiraria Neymar para dar entrada a Fred e tiraria Ganso para dar entrada a Lucas.

Seguramente não. E é lógico, vocês me dirão. Pois ele precisaria fazer um gol para não ser eliminado, para não perder. Sim, é lógico.

Então vejamos a situação por outro ponto de vista, se o Brasil jogasse para vencer ele teria que marcar pelo menos 1 gol quando a partida estava em 0x0. O placar de 0x0 obrigaria o Brasil a pressionar intensamente o Paraguai, a arriscar-se. Vejam onde quero chegar. Em nenhum momento o Brasil priorizou a vitória, enlouqueceu por não conseguir marcar, arriscou um pouco mais. E é aí que podemos notar com toda clareza que o Brasil não jogou para vencer, jogou, antes de tudo, para não levar o gol. E não levou.

domingo, 17 de julho de 2011

O medo da morte

O Brasil não consegue fazer gol nem na cobrança de penaltis. Seguramente não somos tão ruins assim. Perdemos não por jogarmos pior do que o Paraguai, perdemos por falta de sorte.

Sorte e coragem.

Nem preciso repetir o que venho dizendo desde o início desta Copa América, o futebol se tornou um jogo de medrosos.

Mano fez exatamente o mesmo que Batista na Argentina, trocou seis por meia dúzia e não arriscou dar o contra ataque. Imagino que Mano está muito satisfeito com a aplicação dos seus jogadores e está se queixando com o "divino" por não ter colaborado.

O que podemos tirar de bom desta partida é a atuação de Robinho na armação. Robinho fez, individualmente, uma bela partida. Ele e Ganso formam uma boa dupla. Não podemos dizer o mesmo de Lucas/Ramires e de Neymar/Pato.

Mas o que mais me preocupa é, sinceramente, este sentimento entranhado na nossa sociedade, o medo. Temos medo de perder o emprego, medo de assalto, medo de adoecer, medo de ficar só. Temos medo de tudo e esse medo está refletido no futebol. Temos medo de perder.

Já não somos uma sociedade jovem e irresponsável. Somos velhos. Não cultivamos a beleza, mas sim a segurança. E a vida vai, assim, perdendo a graça. E a morte nos mete medo.

Hoje é dia de Brasil

Os jogadores brasileiros voltaram a estar na moda. Neymar está sendo comparado a Messi, Ganso escuta propostas do Manchester United, Pato é o craque do melhor time italiano, Robinho volta a estar cotado, Lucas e Ramires são titulares de potencias inglesas... Fora André Santos, todos jogam ou jogarão em times de ponta.

Quanto exagero.

Neymar nem de longe pode ser comparado a Messi, Pato provavelmente nunca será um craque e Ramires... hoje não falarei mal do coitado, pois a culpa não é dele.

O mais sincero é dizer que não temos um grande camisa 9, mas Pato é um dos melhores que temos. É tão bom quanto Suárez do Uruguai, Sánchez do Chile ou Tévez da Argentina, mas longe dos grandes centroavantes da história do futebol como Ronaldo, Romário ou Van Basten.

O mais sincero é dizer que Neymar, hoje, joga tão bem quanto Ronaldo ou Messi aos 18 anos. Tem um futuro promissor, mas não é, hoje, melhor do que o holandês Van Persie ou o alemão Thomas Muller.

Quanto a Ganso, o mais sincero é dizer que hoje ele é um dos melhores meias do mundo.Ganso é uma realidade e o Brasil depende de seu jogo para se tornar uma seleção acima da média.

Realmente o Brasil é uma das 3 melhores seleções do mundo, mas isso não significa que ganhará do Paraguai. Ainda mais pelo jogo cauteloso que nossos treinadores adotam. Jogamos para, antes de mais, não levarmos gols. Esta é a mentalidade dominante e apoiada pelos meios de comunicação e pela maioria da torcida. Não entramos em campo para marcar gols, entramos para não sofrer.

E jogando assim, possibilitamos que equipes "modestas" consigam nivelar o jogo pelo vigor físico.